Remédios contra o Amor
O Dia dos Namorados não é só para quem está enamorado, mas também para quem pretende não o estar. Assim, vamos partilhar (*) aqui alguns dos conselhos que Ovídio nos deixou numa das suas mais deliciosas obras: os Remédios contra o Amor.
Primeiro, não deixar a “coisa” alastrar
“Enquanto é possível, e brandos são os impulsos que te agitam o coração, se estás arrependido, sustém o passo logo à primeira porta (…) Todo o amor trapaceia e descobre alento em demoras: para a libertação o melhor dia é o dia seguinte. Poucos são os rios que vês nascer de grandes fontes; a maior parte cresce com as águas que vai recolhendo (…) Se, porém, se esvaiu o tempo dos primeiros socorros,e, já maduro, o amor toma lugar no coração cativo, maior é o remédio que resta; mas não é por ser chamado mais tarde ao doente que eu irei abandoná-lo.”
Manter a cabeça ocupada
“Quando, portanto, te parecer que estás a jeito dos remédios da minha arte, faz por seguir os meus preceitos e fugir, desde logo, do ócio; é ele que te leva ao amor; é ele que, depois de te levar, por lá te retém, é ele a causa e o alimento de tão prazenteiro mal. (…) Tu, que buscas pôr fim a um amor, o amor cede à ação; faz alguma coisa; andarás seguro.”
Por fim, uma nota de humor
“O que posso receitar-te dos dons de Baco, perguntas-me tu; (…) o vinho apronta o espírito para Vénus (…) alimenta-se com o vento do fogo e com o vento se apaga; quando ligeira, a brisa atiça as chamas, quando mais forte, mata-as. Mas quanto a bebedeiras, nenhuma! Ou, então, que seja tamanha que te leve os cuidados de amor; uma qualquer entre uma e outra só te prejudica.”
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(*) Tradução dos excertos de Ovídio por Carlos Ascenso André.
